Doença celíaca: o que é, quais são os sintomas e como é feito o diagnóstico?
- Dr. Caio Magrini
- há 6 dias
- 3 min de leitura

Você conhece alguém que sente desconforto abdominal frequente, anemia sem explicação ou diarreia persistente? Esses podem ser alguns dos sinais da doença celíaca, uma condição que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que, muitas vezes, permanece sem diagnóstico por anos.
Neste artigo, você vai entender o que é a doença celíaca, quais são seus principais sintomas, como é feito o diagnóstico e qual é o tratamento disponível.
O que é a doença celíaca?
A doença celíaca é uma doença autoimune desencadeada pela ingestão de glúten, uma proteína presente no trigo, na cevada e no centeio.
Em pessoas geneticamente predispostas, o consumo de glúten faz com que o sistema imunológico ataque a mucosa do intestino delgado. Esse processo inflamatório provoca lesões nas vilosidades intestinais, estruturas responsáveis pela absorção dos nutrientes dos alimentos.
Como consequência, o organismo pode apresentar deficiência de vitaminas, minerais e outros nutrientes importantes para o funcionamento adequado do corpo.
A doença pode surgir em qualquer fase da vida, desde a infância até a idade adulta.
Qual é a incidência da doença celíaca?
Estima-se que cerca de 1% da população mundial seja portadora da doença celíaca. Entretanto, especialistas acreditam que muitos pacientes ainda não foram diagnosticados, principalmente porque os sintomas podem ser leves, inespecíficos ou até inexistentes.
O risco é maior em pessoas que possuem familiares de primeiro grau com doença celíaca e em indivíduos com outras doenças autoimunes, como diabetes mellitus tipo 1 e doenças autoimunes da tireoide.
Quais são os sintomas?
A doença celíaca pode se manifestar de formas muito diferentes. Enquanto alguns pacientes apresentam sintomas digestivos importantes, outros desenvolvem apenas manifestações fora do intestino.
Os sintomas gastrointestinais mais frequentes incluem:
Diarreia crônica;
Dor abdominal;
Distensão abdominal ("barriga inchada");
Excesso de gases;
Náuseas;
Perda de peso;
Prisão de ventre, em alguns pacientes.
Além dos sintomas digestivos, podem ocorrer:
Anemia por deficiência de ferro;
Cansaço excessivo;
Osteopenia ou osteoporose;
Deficiência de vitaminas;
Aftas recorrentes;
Infertilidade ou abortamentos de repetição;
Dermatite herpetiforme (uma doença de pele associada à doença celíaca);
Alterações neurológicas, como formigamentos e dificuldade para manter o equilíbrio.
Nas crianças, a doença pode causar atraso no crescimento, dificuldade para ganhar peso e atraso da puberdade.
Como é feito o diagnóstico?
Um dos erros mais comuns é retirar o glúten da alimentação antes da investigação médica. Isso pode normalizar os exames e dificultar ou até impedir o diagnóstico correto.
Por esse motivo, a investigação deve ser realizada enquanto o paciente ainda está consumindo glúten.
O primeiro passo costuma ser a realização de exames de sangue, principalmente:
Anticorpo anti-transglutaminase tecidual IgA;
Dosagem de IgA total;
Em algumas situações, anticorpo antiendomísio e anticorpos contra peptídeos de gliadina deamidada.
Quando esses exames sugerem doença celíaca, geralmente é indicada uma endoscopia digestiva alta com biópsias do duodeno, que permite confirmar o diagnóstico ao identificar as alterações características da mucosa intestinal.
Em alguns casos, também pode ser solicitado o teste genético para os genes HLA-DQ2 e HLA-DQ8. A ausência desses genes praticamente exclui a doença celíaca, enquanto sua presença apenas indica predisposição, não sendo suficiente para confirmar o diagnóstico.
Existe tratamento?
Sim. Atualmente, o tratamento consiste em uma dieta totalmente livre de glúten por toda a vida. Isso significa eliminar da alimentação alimentos que contenham trigo, cevada e centeio, além de tomar cuidado com a contaminação cruzada durante o preparo dos alimentos.
Embora a aveia naturalmente não contenha glúten, ela pode ser contaminada durante o processamento industrial. Por isso, pessoas com doença celíaca devem consumir apenas aveia certificada como livre de contaminação por glúten.
Com a retirada completa do glúten, a inflamação intestinal diminui, as vilosidades do intestino se recuperam e a absorção dos nutrientes volta ao normal na maioria dos pacientes. Consequentemente, ocorre melhora dos sintomas, redução das deficiências nutricionais e diminuição do risco de complicações a longo prazo.
O acompanhamento periódico com gastroenterologista e nutricionista é fundamental para avaliar a recuperação da mucosa intestinal, orientar a alimentação e prevenir deficiências nutricicionais.
A doença celíaca tem cura?
A doença celíaca não tem cura, mas possui tratamento altamente eficaz. Quando a dieta sem glúten é seguida de forma rigorosa e contínua, a maioria dos pacientes leva uma vida absolutamente normal, com excelente qualidade de vida.
Se você apresenta sintomas persistentes, anemia sem causa definida, perda de peso inexplicada ou possui familiares com diagnóstico de doença celíaca, procure avaliação médica. O diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações e preservar a saúde intestinal.
Referências
AMERICAN COLLEGE OF GASTROENTEROLOGY. ACG Guideline: Diagnosis and Management of Celiac Disease. American Journal of Gastroenterology, v. 118, n. 1, p. 23-59, 2023. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36602833/. Acesso em: 15 jul. 2026.
HUSBY, S. et al. European Society Paediatric Gastroenterology, Hepatology and Nutrition Guidelines for Diagnosing Coeliac Disease 2020. Journal of Pediatric Gastroenterology and Nutrition, v. 70, n. 1, p. 141-156, 2020. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31568151/. Acesso em: 15 jul. 2026.




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